Pesquisa sugere associação entre Cigarro e Esquizofrenia.



É notável a quantidade de fumantes que há nos centros psiquiátricos. Isto você pode conferir tanto pelas estatísticas, como em uma visita pessoal a alguma destas instituições. À luz dos fatos, a pergunta que surge é a seguinte: É a doença psiquiátrica que encoraja o tabagismo ou é este último um fator de risco para desenvolver a primeira?

A razão pela qual pessoas com psicoses fumam mais em comparação com a população em geral, não está totalmente definida e ainda precisa ser estudada. No intuito de avançar nesta linha, uma pesquisa publicada este mês na revista The Lancet Psychiatry sugere que o uso diário do cigarro poderia estar associado a um maior risco de desenvolver distúrbios psiquiátricos, como a esquizofrenia, e em uma idade mais precoce.

A pesar de que ainda é cedo para caracterizar o tabagismo como causa de alguns distúrbios psiquiátricos, os cientistas desconfiam que a dopamina (hormônio da recompensa) esteja envolvida. A razão é que a nicotina pode aumentar a liberação de dopamina e o excesso desta pode estar envolvido no desenvolvimento das psicoses. Na atualidade, o excesso de dopamina no organismo é considerada uma das hipóteses para explicar a esquizofrenia.

Ao comparar pacientes psicóticos com a população em geral, se percebe que estes são três vezes mais propensos a serem fumantes, especialmente quando a doença está no início. Por isso, à luz dos resultados atuais, os pesquisadores recomendam que o tabagismo seja considerado seriamente como um possível fator de risco no desenvolvimento de psicoses e não simplesmente como uma consequência da doença.

A meta-análise epidemiológica, envolveu um total de 14.555 fumantes e foi realizado por pesquisadores do Hospital de Torrevieja (Espanha) e do King's College (Londres). Este dado é importante, pois sempre ouviremos frases como “meu avô fumou a vida inteira e morreu lúcido aos 80 e poucos anos” ou “se realmente cigarro causasse esquizofrenia, imagine quantos loucos teríamos por aí”. Estudos científicos não se baseiam em casos pontuais (a não ser os estudos de caso), senão que se fundamentam em análises estatísticas dos mais diversos tipos. Quer dizer que na prática, é mais provável que seu caso particular se assemelhe mais a uma estatística do que a um caso pontual.

E aí, você vai arriscar?

© Daniel Andrés.



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