Quem era a mulher de João capítulo 8? Desvendando o mito.


Ao amanhecer ele apareceu novamente no templo, onde todo o povo se reuniu ao seu redor, e ele se assentou para ensiná-lo. Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos e disseram a Jesus: ‒Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério João 8:2-4.
O relato é conhecido. O episódio da mulher surpreendida em adultério não passa despercebido nem em filmes nem em obras literárias que pretendem representar parcialmente a vida de Jesus. Por ser parte do relato bíblico, a história da mulher adúltera é constantemente citada no mundo cristão e com frequência se associa o nome de Maria Madalena ao episódio. Alguns intitulam a cena como “Jesus e a prostituta”. Outros entendem diretamente que Maria Madalena era uma prostituta e outra parte –nutrida com teorias fantasiosas e conspirativas– acredita que Jesus se casou com a prostituta chamada Maria Madalena, em outras palavras, não entendem absolutamente nada.

A publicação mais popular no mundo secular que aborda este tema é o romance de Dan Brown chamado “O Código Da Vinci” que posteriormente se transformou em filme. O problema acontece quando os cristãos utilizam este tipo de fontes para nutrir seu conhecimento. Não me refiro somente às teorias conspirativas, senão que também a boatos e conjecturas que viram, com o tempo, verdadeiras tradições.

A verdade é que nem a Sagrada Escritura, nem a tradição cristã, associam o nome de Maria Madalena ao relato da mulher adúltera e mesmo se houvesse comprovada associação, isto não faria dela uma prostituta. Logo a ideia de que Maria era uma prostituta não tem fundamento.

Se o leitor compara os relatos de Lucas 7:36-50, João 12:1-8, Mateus 26:6-13 e Marcos 14:3-9, poderá inferir que Maria Madalena foi a mulher ‘pecadora’ que ungiu Jesus com perfume na casa se Simão, o fariseu. Outras fontes como “O Desejado de Todas as Nações” da escritora Ellen G. White, harmonizam com a ideia. White, ademais, menciona que Maria fora induzida ao pecado pelo próprio Simão, ao igual que a mulher adúltera, quem foi induzida ao pecado pelos seus próprios acusadores.

Desta forma, o leitor começa a juntar as peças do quebra-cabeça, só que tem um porém: nem o relato bíblico, nem os comentários de Ellen White, nem Comentário Adventista do Sétimo dia e nem mesmo a tradição cristã apoiam essa hipótese. No meio cristão, John Fisher -um oponente de Lutero- publicou em 1508 que Maria Madalena era a mulher que foi apanhada em adultério e, recentemente, Morris Venden popularizou essa interpretação nos meios adventistas através do seu livro "How Jesus Treated People". No entanto, estas publicações não têm por objetivo provar fatos, senão que simplesmente expor ideias.

Não podemos esquecer de que eram várias as mulheres que seguiam e serviam Jesus. Provavelmente todas tinham algum pecado, assim como os discípulos de Jesus, pois o Mestre sempre foi acusado de andar rodeado de pecadores. Desta forma, qualquer tentativa de identificação entre Maria Madalena e a mulher adúltera é mera conjectura e deveria ser entendida como tal, como uma opinião pessoal e sem o apoio da Escritura ou dos comentaristas bíblicos.

© Daniel Andrés.


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